Trauma

Importância do trauma físico na clínica de animais de companhia!

O trauma é considerado uma importante causa de encaminhamento de animais de estimação ao atendimento médico veterinário em todo o mundo, é o causador de lesão tecidual que ocorre de forma aguda como resultado de violência ou acidente, responsável por iniciar alterações no eixo hipotalâmico-hipófise-adrenal, imunológicas e respostas metabólicas com o objetivo de restaurar a homeostase, consequentemente lesão tecidual e hemorragia. Dor e medo são os principais componentes de qualquer evento traumático. Os acidentes ou traumas por distúrbios causados por agentes físicos são mais frequentes em animais jovens e adultos, a idade é um fator de proteção, trauma por atropelamento não estão relacionados nas principais causas de animais senis em atendimento médico veterinário, assim como as quedas de alturas. Frequência de morte é maior em animais com menos de um ano de idade e declina acentuadamente com a idade. Podem deixar sequelas com condição inadequada de qualidade de vida, o que inclui a eutanásia como alternativa para o proprietário.  Dentre os traumas, os mais comuns são decorrentes de atropelamento por veículo automotivo, quedas de moradia, de briga entre animais, de obstrução gastrintestinal e por arma de fogo, onde o tórax é a região anatômica mais comumente atingida e a principal causa de morte, seguido das extremidades e ferimento na cabeça. Animais com único ferimento nos membros tem maior probabilidade de sobreviver ao contrário de cães com múltiplos ferimentos. A maioria dos animais sofrem trauma em decorrência de atropelamento por veículo automotivo, sugerindo ausência da posse responsável por parte dos proprietários. O atropelamento contribui significativamente para as estatísticas de morte.

Montagem

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As lesões mais frequentes incluem traumatismo espinhal-medular, ruptura de órgãos parenquimatosos, traumatismo crânio encefálico, neste caso a incidência de convulsões precoces e tardias podem estar relacionadas, outras lesões são: ruptura de órgãos ocos, fratura de costelas com laceração de órgãos parenquimatosos e ruptura de diafragma com deslocamento de vísceras abdominais para a cavidade torácica, essas alterações predispõem o animal a uma insuficiência do organismo pela resposta inflamatória sistêmica com infecções e disfunção de múltiplos órgãos. O tempo de internação é inversamente proporcional a chance de sobrevivência, as taxas de sobrevivência são bastante elevadas quando de 24 horas de internação e diminuiu progressivamente com a hospitalização, os parâmetros laboratoriais e clínicos relacionados com a sobrevivência são: idade, aspecto e coloração das mucosas, frequência cardíaca, frequência respiratória, perfis hematológicos, hemogasométricos, perfis renais como mensuração de ureia e creatinina, fosfatase alcalina, lactato, número de doenças concomitantes, escala de consciência. O atendimento segue uma abordagem algorítmica para o paciente, aperfeiçoando a terapia e para melhorar o resultado, o método ABCDE, da língua inglesa, A de vias aéreas, B de respiração e ventilação; C de circulação com controle da hemorragia; D de incapacidade, estado neurológico; E de Exposição e controle do ambiente (temperatura). Este protocolo surgiu porque se observou que o trauma mata seguindo uma cronologia previsível, a obstrução das vias aéreas mata mais rapidamente do que a perda da capacidade de respirar, que mata mais rapidamente do que a redução do volume sanguíneo circulante, assim como a preservação do SNC é fundamental para manutenção da vida, deve-se iniciar a estabilização dos sinais vitais e a identificação de lesões que comprometem a vida do paciente.  Essa sequência fundamentalmente protege o cérebro da hipóxia, da hipoventilação e da hipotensão, fatores determinantes do mau prognóstico.  Portanto, atualmente, é cada vez mais reforçado o conceito de que a abordagem ao doente deve ser sistematizada e obedecer aos protocolos de urgência básicos, dando total prioridade ao controle das vias aéreas, da boa respiração e da ventilação e à correção dos distúrbios circulatórios. Além da abordagem clínica emergencial, devemos nos concentrar em manobras específicas, para garantir o suporte integral ao sistema nervoso central, onde a escala de coma de Glasgow pediátrica modificada para cães é ferramenta segura para avaliação de alterações neurológicas de cães.

TANIZE GABINA.RAFAEL.3-1-Mar-2017 FERNANDA GOMES.MARY JANE.10-23-Abr-2017 Carla Mendonça de Mello.Angel.6-22-Mar-2017

A terapia deve ser individualizada, sob medida para cada paciente, reavaliando e reformulado constantemente, de acordo com as mudanças no status do paciente, sua condição volêmica, eletrolítica, ácido-base, oncótica e condições de morbidade. Todos os pacientes devem ser avaliados quanto a fluidoterapia e risco de sepses, assim como protocolos de controle da dor, sedação e anestesia devem ser inseridos obrigatoriamente no paciente traumatizado.

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A infraestrutura do local de atendimento, onde os exames de imagens como ultrassonografia e radiologia devem existir obrigatoriamente, aliados a resultados laboratoriais imediatos e uma competente equipe treinada são fatores de proteção para o paciente traumatizado, onde a avaliação criteriosa permite o acerto no protocolo clínico ou cirúrgico.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

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