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Platinosomíase! Doença oculta dos felinos que necessita ser diagnosticada.

As doenças hepáticas dos felinos são um dilema para o médico veterinário, de várias etiologias, que vão desde tumores até obstruções, passando por toxemias ou parasitoses. Os parasitos externos e internos de animais de companhia podem causar doenças graves, levando o animal a apresentar aspecto esteticamente indesejável, além de serem, muitas vezes, transmissíveis aos seres humanos. Dentre as parasitoses, a infecção causada pelo Platynosomum illiciens, parasita de dutos biliares e vesícula biliar de felinos, é frequente, causa inflamação ou obstrução de ducto e vesícula biliar e é associado a tumores hepáticos. Embora tenha distribuição territorial ampla e ser frequente em regiões de clima tropical e subtropical, é raramente diagnosticado no exame ante mortem, uma vez que o achado de ovos em exames coproparasitológicos é a única forma de diagnosticar, e a eliminação dos ovos junto com as fezes é intermitente e dependente de técnica adequada, assim como metodologia própria e competência do técnico observador.

A platisonomíase, embora seja frequente, é de difícil diagnóstico e potencialmente fatal, o que exige atenção médico veterinária, o diagnóstico precoce possibilita o tratamento de felinos parasitados. Este é o grande desafio na platisonomíase, visto que certamente é subestimada clinicamente e, assim, inadequadamente diagnosticada e tratada.

P. illiciens, parasita fundamentalmente gatos domésticos, contudo, pode infectar outras espécies de mamíferos ou aves.

Montagem

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Os gatos infectam-se ao ingerirem hospedeiros intermediários ou definitivos (lagartixas, besouros, baratas, minhocas) contendo metacercárias. Durante o processo de digestão, as metacercárias serão liberadas, migram ativamente até à papila duodenal maior e daí para os ductos biliares ou vesícula biliar. Uma vez instaladas nos ductos biliares ou vesícula biliar, as metacercárias levam entre quatro e cinco semanas para chegar à fase adulta. O período pré-patente é de aproximadamente oito semanas, quando então o ciclo se completa. O número de ovos inicialmente encontrado nas fezes é baixo e aumenta gradativamente até o quarto mês pós-infecção, quando então ocorre uma diminuição gradual. Além dos ductos biliares e vesícula biliar, vermes adultos podem ser encontrados no pâncreas. Essa migração ocorre porque 20% dos gatos apresentam uma papila duodenal menor que se finaliza no pâncreas ou duto acessório do pâncreas, o que explica o achado desses parasitas em um local extra-hepático.

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Gatos parasitados podem ser assintomáticos ou apresentar sintomatologia variável, desde sinais e sintomas inespecíficos e moderados até icterícia, diarreia crônica e morte.

O tratamento específico recomendado é realizado com praziquantel, que é excretado pela bile, na dose de 20 a 25 mg/kg, por via oral, durante três dias consecutivos. A dose recomendada no tratamento de infecções por P. illiciens, embora elevada é segura, pois a DL 50 em ratos é de 2000 a 3000 mg/kg. Outra droga que tem sido usada é o hexachloroparaxylol, frequentemente empregado na terapia de clonorquíase humana, na dose de 1 mg/kg, via oral, durante seis dias. Além do tratamento específico, pode-se usar também associação com anti-inflamatórios esteróides, como a dexametasona, na dose de 1 mg/kg/BID e antibióticos, para controlar possíveis casos de colangite obstrutiva.

O exame diagnóstico específico disponível é a pesquisa de ovos nas fezes, entretanto, a quantidade de ovos eliminados é pequena, o que compromete a sensibilidade. Além disso, como a morfologia dos ovos é variável, principalmente nas dimensões e na clareza com que se observa o opérculo, a sensibilidade dos exames pode ser ainda mais comprometida. Estima-se que 53,1% dos gatos infectados apresentam ovos detectáveis nas fezes. É necessário saber que os vermes eliminam ovos de maneira irregular, variando entre 10 e 100 ovos por dia. O uso de Ácido Ursodesoxicólico (AUDC) aumenta a sensibilidade do diagnóstico de platinosomíase por pesquisa de ovos nas fezes, associado ao exame seriado de fezes pela técnica de sedimentação com formalina-éter.

Palavra chave: Platynosomum illiciens, ácido ursodesoxicólico, diagnóstico, exame de fezes.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

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