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Toxocaríase! Um alerta para a saúde pública.

As principais causas de morte em cães são as doenças infectoparasitárias, principalmente parvovirose, cinomose e parasitos gastrintestinais. Várias espécies de parasitos gastrintestinais já foram assinaladas parasitando cães, tendo a diarreia como a mais frequente manifestação clínica, os mais comuns são: Ancylostoma caninum, Cystoisospora canis, Cystoisospora ohioensis, Giardia duodenalis, Toxocara canis, T. catiTrichuris vulpis, Dipylidium caninum, Taenia spp., Sarcocystis spp., Capillaria spp., Cyniclomyces guttulatus, Entamoeba sp., Pentatrichomonas hominis, principalmente nos animais com até seis meses de idade e a frequência decresce com o aumento da idade. Os sinais clínicos são tipicamente associados ao trato gastrointestinal, diarreia, vômitos, crescimento retardado, desconforto abdominal, em casos graves, obstrução. Várias espécies promovem agravo a saúde humana, sendo necessário maior atenção, evitando a contaminação ambiental, promovendo diagnóstico e manejo adequado nos filhotes e cadelas infectadas.

Montagem

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O gênero Toxocara é classificado na família Toxocaridae, das diversas espécies conhecidas, as mais importantes em Medicina Veterinária e Saúde Pública são T. canis e T. cati, não só pela distribuição cosmopolita, mas principalmente pelo seu potencial zoonótico. Toxocara canis tem como hospedeiros definitivos o cão, raposa e lobo, entre outros canídeos silvestres, enquanto T. cati tem o gato, lince e gineta, entre outros felídeos e viverrídeos silvestres, contudo é importante referir que ambas as espécies podem utilizar praticamente qualquer mamífero como hospedeiro paratênico, incluindo o homem. A importância zoonótica, principalmente em crianças, imunossuprimidos e adultos, torna a toxocaríase, pelo T. canis, uma zoonose importante e muito difundida em todo o mundo. Incide com maior frequência sobre crianças, principalmente aquelas com idades até cinco anos, embora as crianças maiores e adultos também possam ser afetados pela doença. A mais conhecida forma de expressão clínica da toxocaríase no ser humano é a larva migram visceral (LMV), uma síndrome de hipereosinofilia crônica, acompanhada por leucocitose, hepatomegalia com lesões granulomatosas eosinofílicas no fígado, podendo ocorrer algum grau de infiltrado pulmonar, sinais de dificuldade respiratória, tosse, febre, lesões oculares com perda da vião e hipergamaglobulinemia. As lesões hepáticas foi bem caracterizada em 1952 por Paul Beaver e colaboradores que examinaram três crianças com a síndrome, em Louisiana (EUA), e detectaram, por biopsia hepática, a presença de larva de Toxocara. Os autores descreveram a larva como sendo da espécie Toxocara spp., parasitos intestinais comuns em cães e gatos, e sugeriram esta infecção como causa dos processos patológicos nos três casos estudados. Eles também descreveram semelhanças entre as lesões observadas na superfície hepática dos pacientes e as lesões na pele de indivíduos com larva migrans cutânea, e propuseram, por analogia, a denominação “larva migram visceral” para caracterizar tais processos patológicos hipereosinofílicos crônicos, com envolvimento de órgãos internos, diferenciando-os do processo de larva migrans cutânea. Também deve ser considerada nos casos de manifestações orgânicas inespecíficas, acompanhadas de febre e eosinofilia, com ou sem erupções cutâneas alérgicas. A migração de larvas no sistema nervoso central, incluindo seres humanos, pode causar lesões neurológicas resultando em uma variedade de sintomas neurológicos.

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A confirmação pela demonstração frequente de soropositividade para antígenos de T. canis em humanos, varia com a localização geográfica, status socioeconômico e hábitos alimentares, com fatores de risco para infecção incluindo geofagia e educação de baixo nível, impondo a adoção de políticas públicas e educação sanitária, para se evitar a contaminação ambiental, pois o parasitismo gastrintestinal em cães domiciliados é bastante elevada (41,62%), impondo conscientização dos tutores e proprietários de cães para um manejo, diagnóstico e principalmente recolhimento e descarte das fezes adequados, evitando a contaminação do ambiente, promovendo proteção, visto que é uma zoonose responsável por sintomas polimorfos e morbidade potencialmente graves. A manutenção de uma educação contínua de qualidade para os médicos veterinários e as informações devidamente apresentadas aos donos de animais de estimação são de importância prioritária, sendo também necessária uma colaboração mais estreita entre os profissionais veterinários e os profissionais da saúde pública.

É importante ressaltar que a associação de diferentes técnicas e o exame direto são ferramentas importante no diagnóstico. Dessa forma, as doenças parasitárias vêm ganhando um maior destaque em seu estudo, devido ao seu alto potencial zoonótico, resultados demonstram que a cadela em lactação pode ser uma importante fonte de contaminação do ambiente com ovos de T. canis e principalmente para os respectivos filhotes, onde quase 100% dos são infectados no útero por larvas somáticas reativadas a partir do 42a dia do período de gestação, podendo transmitir nas futuras gestações, mesmo sem ocorrer novas infecções.

Conclusão: Fazer exame de fezes em cães e gatos, sempre que ocorrer sinais gastrintestinais ou a cada 6 meses, recolher as fezes nos passeios, promovendo o descarte adequado e evitando a contaminação ambiental, evitar animais em praias e caixas de areia de parques e jardins onde há mobiliário para lazer de crianças e idosos, são orientações obrigatórias no controle desta importante zoonose.

Palavra chave: toxocaríase, infecções concomitantes, helmintos, zoonose, larva migrans visceral, criança.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

CTI VeterinárioToxocaríase! Um alerta para a saúde pública.

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