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Tritrichomonas foetus, um importante agente etiológico na medicina de felinos!

Vários agentes etiológicos são responsáveis por sinais gastrintestinais nos felinos, sendo o exame de fezes o primeiro método para um diagnóstico preciso e tratamento eficaz. Os parasitos são diversos e na maioria das vezes ocorrem de forma concomitante, principalmente nos animais jovens, Toxocara spp., Toxocaris spp., Ancilostoma spp., Platynosomum illiciens, Dipylidium caninum, Taenia spp.; Giardia spp., Cystoisospora felis, C. rivolta e Tritrichomonas foetus.

O Tritrichomonas foetus é um protozoário flagelado anaeróbico que se multiplica por fissão binária, assim como a Giardia spp., a rota de transmissão é fecal-oral, ou seja, a ingestão da forma infectante é necessária para produzir a infecção. No entanto, o T. foetus não apresenta formação de cistos como observado no ciclo de vida da Giardia spp., mas de pseudocistos, menos resistentes ao ambiente, e a mudança de forma é conforme a necessidade do parasito, de forma reversível. Mais conhecido por causar doença sexualmente transmissível em bovinos, o T. foetus que infecta o bovino é morfologicamente idêntico ao T. foetus que infecta o gato, por este motivo, o nome foi aplicado ao parasito em gatos. A tricomonose felina é causadora de inflamação intestinal, principalmente colite em gatos e infecções do aparelho reprodutivo, principalmente do útero, evoluindo para a piometra, por infecções ascendentes, da vagina, pela proximidade do anus. Ainda pouco diagnosticado no Brasil, há pouco mais de 15 anos surgiram os primeiros relatos. Atualmente, a infecção possui distribuição mundial, com manifestação clínica típica de diarreia crônica de intestino grosso, que podem durar semanas, meses e as vezes anos, mesmo após tratamento com anti-helmínticos e antibióticos, pois o tratamento efetivo é com a utilização de drogas específicas. Com um elevado poder infeccioso, pode apresentar episódios de diarreia líquida, de odor fétido. Na ultrassonografia, as alças intestinais apresentam-se espessadas devido a inflamação produzida pelo parasito. A tricomonose em gatos já é uma realidade no Brasil, devendo ser melhor explorada pelos clínicos como diagnóstico diferencial ou de co-infecção em animais com diarreia crônica.

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Para diagnóstico deve ser feito exame de fezes com centrifugo-flutuação, associado ao exame a fresco, com auxílio do lugol. Esfregaços das fezes fixados em etanol e corados, podem ajudar a confirmar a identidade de T. foetus. Na microscopia são observados trofozoítos de formato piriforme, com três flagelos anteriores e um posterior. A cultura em meio próprio também é uma possibilidade de diagnóstico, assim como a reação em cadeia de polimerase/PCR.

O tratamento deve ser feito após diagnóstico, observando a possibilidade de infecções concomitantes.

Palavra chave: tricomoníase, colite, diarréia, gatos.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

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