Cão doente

Doenças hepáticas nos Pets!

   Doenças degenerativas que se manifestam normalmente com a idade tem na insuficiência hepática uma das principais representantes, associada ou não as colangites, são causadas mais frequentemente por infecções, obstruções, drogas, medicamentos e secundárias a doenças hormonais, além disso, os processo patológico envolvido nas doenças hepáticas vão depender e ser determinada pela extensão da lesão, a recuperação do órgão, caracterizando uma doença aguda ou dano permanente tendo como consequência doença crônica, que no caso do fígado frequentemente começa com necrose seguida por infiltração por linfócitos ou macrófagos que causam fibrose e cirrose, por causa infecciosas, inflamatórias, fatores hereditários, autoimune, intoxicações, onde as doenças virais, bacterianas e parasitárias, como hepatite canina infecciosa e a leptospirose respectivamente são as mais frequentes, cursando com a hepatite, que podem ter como consequência a insuficiência hepática crônica e no caso da leptospirose, também responsável pela insuficiência renal aguda ou crônica .

   Hepatite crônica é comum em cães e gatos, com uma diversidade de apresentação, sendo observada pela consequência de um grupo diverso de doenças, resultando em um quadro clínico comum, sendo a idade um fator de risco, onde os idosos e adultos são os mais acometidos, porém pode acometer cães e gatos jovens, os sinais clínicos presentes são: anorexia, apatia, diarreia, distúrbios neurológicos, vômito, coagulopatias, hipotermia, dor abdominal, icterícia, febre e ascite, onde as causas são por neoplasias, lesões degenerativas, distúrbios circulatórios, lesões inflamatórias e por acumulo de cobre, sendo os tumores os mais prevalentes seguidos de cirrose hepática e os sinais clínicos observados com maior frequência são icterícia e ascite, sendo a ascite um indicador de prognóstico negativo significativo em cães. Na maioria dos casos da hepatite canina, a etiologia é desconhecida, para o diagnóstico definitivo é necessário a histopatologia, através de biópsias hepáticas realizadas tanto por via percutânea com orientação do ultrassom, por laparotomia exploratória ou videocirurgia. Identificando a etiologia e o prognóstico, mais favorável quando a doença primária é diagnosticada na fase aguda. O tratamento é principalmente de suporte, com uma abordagem terapêutica atendendo as necessidades particulares de cada paciente, dedicado as diversas patologias hepáticas, com exceção do tratamento da doença de armazenamento de cobre em algumas raças caninas, semelhante a doença de Wilson no ser humano, doença rara, autossómica recessiva, caracterizada por uma alteração no transporte do cobre no fígado, com acumulação progressiva em vários órgãos (fígado, cérebro, rins e córneas), a expressão fenotípica é muito variável desde a elevação das enzimas hepáticas, esteatose ou litíase vesicular, em doentes assintomáticos, até a cirrose ou insuficiência hepática fulminante ou doença neuropsiquiátrica incapacitante. Nos cães a adequada dieta com baixa concentração de cobre ou a utilização de quelantes de cobre associado ao aumento da ingestão de zinco aliado a utilização do ácido ursodesoxicólico-AUDC, amplamente utilizado na prática clínica em cães e gatos com hepatite crônica. O AUDC é um ácido biliar natural relativamente hidrofílico, constituído por uma mistura de ácidos biliares, produto da degradação do ácido chenodesoxicólico. Sua estrutura química, elucidada em 1936 é 3a, 7b – dihidroxi – 5b – ácido colanóico. O nome ursodesoxicólico recebeu o prefixo urso porque foi identificado na bile do urso chinês. Atualmente é sintetizado e utilizado, combinado ou não com vitaminas, como agente hepatoprotetor. Depois da administração oral do AUDC não conjugado, 30-60% da dose é absorvida passivamente nos intestinos delgado e grosso, chegando ao sistema porta hepático. É conjugado no fígado com glicina e taurina, secretado no sistema biliar, estimulando contrações dos canais biliares e a secreção colangiocelular de bicarbonato, exercendo assim sua ação colerética. Numerosos estudos documentaram que os ácidos biliares são citotóxicos para o hepatócito, são pró-inflamatórios, aumentam a geração de radicais livres em neutrófilos e mastócitos e estimulam a produção de leucotrienos na linhagem celular intestinal, justificando o tratamento da estase biliar através do uso continuado de AUDC, recomendado como hepatoprotetor, uma vez que apresenta hidroxilações adicionais nas posições 7 e 12; e essas modificações químicas são determinantes na toxicidade, porque as conjugações e hidroxilações diminuem a hidrofobicidade da molécula. Em geral, quanto mais hidrofóbico o ácido biliar, mais hepatotóxico será; portanto, torná-lo menos hidrofóbico pelas hidroxilações, consequentemente permite sua ação hepatoprotetora, estimulando a secreção biliar pelos hepatócitos e células epiteliais do ducto biliar, promovendo um efeito citoprotetor sobre o hepatócito e células epiteliais do ducto biliar. Sais biliares apresentam ação colerética quando administrados pela via oral, sendo que substâncias de origem vegetal também apresentam efeito colerético, a exemplo de boldina (boldo) e a cinarina (alcachofra).

IMG_9627  IMG_9423  hemograma

   As doenças que acometem o sistema hepatobiliar em cães e gatos, em particular a obstrução biliar extra-hepática ocorre quando há alteração no fluxo normal da bile, devido a diversas causas. Historicamente, a incidência de doenças restritas à vesícula biliar é baixa, no entanto, com o uso de diagnóstico de rotina de ultrassonografia abdominal, a incidência de mucocele da vesícula biliar e colelitíase têm aumentado. Em geral, são achados de exame e dificilmente implicam em sinais clínicos identificáveis, porque frequentemente estes são discretos, temporários e recidivantes. A icterícia é mais notada quando material lodoso ou cálculos causam a obstrução do ducto biliar. Também podem ser notados vômito, depressão, perda de peso, febre, desidratação, fezes acólicas e dores abdominais associadas à colecistite ou obstrução do ducto biliar. A ultrassonografia pode auxiliar na detecção de obstrução de vias biliares e suas causas. A mucocele da vesícula biliar é diagnosticada com maior frequência em cães, mas a sua verdadeira incidência permanece incerta. A causa subjacente a esta condição ainda é controversa, mas há uma forte associação com a hiperplasia das glândulas mucosas no epitélio da vesícula biliar. Embora o tratamento cirúrgico tenha sido o tratamento de eleição, a evidência baseada em casos recentes sugere que alguns pacientes podem responder ao tratamento médico. Mucocele geralmente são relatados em cães de pequeno e médio porte.  A maioria dos pacientes com mucocele são mais velhos (média de idade de 9 anos), predileção por sexo não tem sido estabelecida. Pode ser difícil compreender as diferenças entre lama biliar e mucocele no exame ultra-sonográfico, lama biliar é móvel e dependente da gravidade, enquanto que mucocele é imóvel e exibe um padrão distinto estriado ou estrelado. Para o diagnóstico além dos testes laboratoriais de rotina, a colecitocentese pode ser realizada, com o objetivo do isolamento do microorganismo responsável através de cultura de aeróbios, anaeróbios e fungos, os isolados mais comuns são a Escherichia coli e Enterobacter, Enterococcus, e Clostridium. Dentre as infecções fúngicas, a presença de um ascomiceto Cyniclomyces guttulatus, vem sendo assinalada com alguma frequência nas colangiohepatites, o diagnóstico é  baseado na histopatologia, identificação microscópica, no isolamento através de cultivo e no sequenciamento do DNA desta espécie encontrada no Brasil.

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   Doenças do sistema hepato-biliar devem ser diagnosticadas precocemente, através de diagnósticos confiáveis permitindo tratamento eficaz e diminuindo as chances da instalação da doença crônica, oferecendo qualidade de vida aos nossos pecientes.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal

Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária. Médico-veterinário, Mestre-MSc, Doutor-DScV, Pós-Doutorando Diagnóstico de doenças concomitantes em animais de companhia. Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias. Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br  

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