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Diga não ao Câncer (neoplasia) dos Pets!

   O câncer ou neoplasia são frequentes nos animais de companhia, são uma das principais causas de óbito e má qualidade de vida dos Pets. Há uma variedade de tumores que conforme a espécie, sexo e idade podem ter maior chance de se desenvolver. Um dos mais frequentes são os tumores mamários (TM), acometem principalmente fêmeas que machos, este com baixa frequência, podem ser benignos ou malignos, podem estar associados histologicamente a mais de um tipo de TM, sendo os carcinomas em tumores mistos o tipo histológico predominante.  As fêmeas idosas tem mais neoplasias malignas que as adultas, e o carcinoma simples são o mais prevalente, as metástases para linfonodos ocorrem com maior frequência do que para outros órgãos.  O efeito protetor conferido pela castração desaparece se a mesma for realizada após os dois anos e meio de idade, ou após o terceiro ciclo estral, e são fatores de risco a manutenção da função reprodutiva, obesidade, dietas desequilibradas em vez dos alimentos balanceados.  O diagnóstico tardio implica em tumores maiores, estádios mais avançados, caráter infiltrativo e consequentemente, piores prognósticos.  Os TM em cadelas não apresentam características de histórico reprodutivo e de exame clínico que auxiliem o diagnóstico diferencial, sendo a citologia, histopatologia e imunohistoquímica os meios para a conclusão do diagnóstico e a última podendo ser utilizada para prognóstico.

   A segunda neoplasia mais frequente é o linfoma canino, principal neoplasia de origem hemolinfática, tem elevada incidência na população canina mundial, o que certamente contribui para o fato de que é a neoplasia mais comumente tratada em cães, ocorre em animais jovens a idosos. A forma mais frequente é a multicêntrica, a tímica e a digestiva são menos frequentes e os sinais clínicos mais observados são a linfadenomegália, perda de peso, anorexia e a alteração ou disfunção referente ao órgão ou sistema acometido pelo linfoma primário. As principais alterações hematológicas são anemia normocítica normocrômica, trombocitopenia e leucocitose, associadas às síndromes paraneoplásicas, a remissão completa da doença ocorre em mais de 1/5 dos cães e a influência da anemia no prognóstico dos animais é um parâmetro importante no prognóstico.

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   Os principais tumores em vísceras parenquimatosas são os hepáticos malignos primários (THMP), se apresentam na forma de carcinomas (colangiocarcinomas, carcinomas hepatocelulares, hepatocolangiocarcinoma) e os sarcomas (hemangiossarcomas) e acomete principalmente cães idosos.  Metástases extra-hepáticas ocorrem mais frequentemente nos colangiocarcinomas e carcinomas hepatocelulares atingindo principalmente pulmões, linfonodos e peritônio.  Pelo menos 1/3 de cães idoso sem manifestação clínica apresentam imagem ultrassonográfica sugestiva de neoplasia hepática, portanto exames de imagem devem ser feitos conforme o fator de risco, cães adultos a partir dos 6 meses a um ano de intervalo. Colangiocarcinomas são altamente metastáticos, muito mais metastáticos do que carcinomas hepatocelulares, e as principais metástases ocorrem em pulmões, lin­fonodos e cavidade abdominal, morte súbita pode ocorrer e os sinais mais frequentemente observados são ascite e icterícia, anorexia, apatia, sedentarismo, perda de peso, polidipsia, vômitos e dor abdominal.

   A forma de diagnóstico definitivo é através da citologia, seguido da histopatologia e histoquímica. O método bastante utilizado na clínica é a punção aspirativa com agulha fina, melhor técnica para obtenção de amostras para o diagnóstico, porém a histopatologia possui uma maior eficácia, além disso, deve-se ter atenção ao tipo de neoplasia e localização, os lavados são eficientes para coleta de material, porém podem não diferenciam neoplasia primária ou metastática.  Citologia não é adequada para o diagnóstico de neoplasias mamárias devido à grande variação de morfológicas em diferentes áreas, assim como impressão em lâmina não é recomendável para avaliar tumores mesenquimais e deve ser substituído por citologia esfoliativa.  Além dos exames específicos, exames de imagem são fundamentais para um auxilio no diagnóstico e prognóstico, radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais inclusive como método auxiliar na escolha do tratamento, onde se evidenciam as estruturas acometidas, e a escolha pela cirurgia associado ou não a quimioterapia.

   O tutor deve estar sempre atento a qualquer alteração na pele, surgimento de nódulos, linfonodos aumentados, “carocinhos” nas mamas, apatia, perda de peso ou qualquer alteração no comportamento e na saúde do Pet.

Paulo Daniel Sant’Anna Leal Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária Médico-veterinário, Mestre-MSc, Doutor-DScV, Pós-Doutorando Diagnóstico de doenças concomitantes em animais de companhia. Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias. Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br 

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