Yellow Labrador Retriever puppy scratching his ear, 8 weeks old

Erliquiose! Quais os riscos para os cães?*

  As doenças transmitidas por vetores (carrapatos, pulgas, mosquitos) aos cães são importantes causadoras de doenças. Os parasitos de células sanguíneas (hematozoários) são os mais prevalentes, esses hemoparasitos transmitidos principalmente pelos carrapatos ixodídeos no Brasil, são os microorganismos responsáveis pela doença conhecida como Erliquiose, tendo como responsáveis as espécies Erhlichia canis e Anaplasma platys.  As hemoparasitoses em cães são tema de grande importância na clínica médica veterinária devido à frequência com que ocorrem. Constituem-se de enfermidades cosmopolitas causadas por parasitos intracelulares obrigatórios de células sanguíneas, transmitidas biologicamente pela picada de artrópodes hematófagos, tendo como principal vetor o carrapato marrom do cão, Riphicephalus sanguineus, ocorrendo através da picada de cão a cão, o qual pode transmitir esses organismos por mais de cinco meses após o ingurgitamento com sangue infectado. Também os carrapatos do gênero Amblyomma e Anocentor são importantes no ciclo de algumas destas doenças que acometem animais de várias espécies, tais como cães, gatos, equinos e bovinos. Não podemos descartar os mosquitos, frequentes em centros urbanos e responsáveis pela transmissão de riquétsias entre um animal portador e um são, como já pode ser observado. Esses agentes são responsáveis por manifestações clínicas variáveis, com apresentações multissistêmicas que podem ocasionar óbito ou, sendo portadores assintomáticos, principalmente o cão, são capazes de manter a infecção a longo prazo, podendo servir como reservatório.

  A anaplasmose trombocítica canina é uma doença causada por uma bactéria gram negativa pertencente ao gênero Anaplasma. Infecta as plaquetas e eventualmente leucócitos de cão. Recebe a denominação de Anaplasma platys, inicialmente identificada como Ehrlichia platys, causando um quadro clínico  que se denomina trombocitopenia infecciosa cíclica canina, que varia de leve a severa. Um grande número de plaquetas são afetadas alguns dias após a infecção, há diminuição brusca no número de plaquetas e o agente causal desaparece da circulação. A contagem plaquetária retorna a valores próximos aos de referência em aproximadamente quatro dias, sendo que a parasitemia e trombocitopenia subsequentes tendem a ocorrer periodicamente em intervalos de uma a duas semanas, com a diminuição do número de plaquetas infectadas. A trombocitopenia pode continuar severa ou diminuir de intensidade. Os sinais clínicos começam após um período de incubação de oito a quinze dias, com alguns sinais digestivos, anorexia, febre, letargia e distúrbios hemostáticos. O agente é visualizado como inclusões basofílicas no interior de plaquetas em esfregaços corados com corante Giemsa ou Panótico. Os achados laboratoriais, assim como o histórico e o exame clínico apenas sugerem o diagnóstico, porém a visualização dos parasitos ou a demonstração dos seus anticorpos ou antígenos e a utilização da técnica da Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) confirmam o diagnóstico. Há, ainda, outro agente etiológico pertencente a esta família denominado Anaplasma phagocytophilum que pode parasitar os leucócitos polimorfonucleares de cães.

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  Outra erliquiose canina, tem como responsável uma bactéria do gênero Ehrlichia, parasito de leucócitos e plaquetas, sendo que as espécies que naturalmente infectam cães são: E. canis (cepa mononuclear) e E. ewingii (cepa neutrofílica). Além dessas espécies, E. equi (cepa neutrofílica), E. risticii (cepa mononuclear) e a E. chaffensis (erliquiose humana) também já foram isoladas como responsáveis pela erliquiose em cães. Erhlichia canis é a mais comum e causa a doença clínica mais grave, forma agrupamentos intracitoplasmáticos em forma de amora e com coloração magenta-escura ou azul-acinzentada chamados mórulas (três a seis micrometros), parasita plaquetas, monócitos, linfócitos e neutrófilos.  A fase aguda tem duração de duas a quatro semanas, período em que ocorre multiplicação do micro-organismo. As células infectadas são levadas pela circulação até outros órgãos, promovendo vasculite e infecção do tecido subendotelial, além de anemia progressiva em razão da destruição e supressão da produção eritrocitária.

  Achados de mórulas em leucócitos e plaquetas confirmam o diagnóstico de anaplasmose ou erliquiose canina através da visualização destas estruturas citoplasmáticas, constituindo-se de importante técnica de diagnóstico, porém nas infecções crônicas ou de baixa parasitemia o diagnóstico citológico de sangue periférico não é totalmente confiável, sendo indicado para esses casos aspirados de medula óssea ou esplênico.  Não sendo observados os parasitos em estiraços de sangue, o diagnóstico sorológico não deve ser descartado, assim como nas fases subclínica e crônica da doença, utilizando como apoio no diagnóstico o nPCR para o diagnóstico na fase aguda e, especialmente, para a identificação da espécie envolvida.

   A profilaxia é a melhor forma de evitar a doença, através da proteção dos cães da picada dos vetores, com a utilização de telas nas janelas, repelentes ambientais principalmente contra os mosquitos, coleiras e produtos “top spot”, e o combate sistemático aos vetores.

*Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc, Doutor-DScV, Pós-Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias. Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br

 

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