Prostata 1

Hiperplasia de próstata nos cães*

 A próstata canina é propícia a diversas afecções que constituem problema comum em cães adultos e idosos.  A estreita relação anatômica entre próstata, uretra, bexiga urinária, rins e reto, refletem a elevada frequência de afecções prostáticas e suas consequências.  Os cão assim como o homem desenvolvem Hiperplasia de Próstata (HPB), que na maioria das vezes são benignas, mas que provocam graves repercussões no sistema urinário e digestório, como o não esvaziamento completo da bexiga, levando a infecções frequentes das vias urinárias, cistite e por ascensão, lesões aos rins (pielonefrite), devido ao estreitamento da uretra prostática, dor ao defecar, quando há hiperplasia e protatite.  A hiperplasia prostática benigna (HPB) ocorre em cães adultos e idosos, sendo considerada a alteração mais comum da próstata canina, compreende aumento progressivo e induzido por hormônios, sendo que 100% dos cães adultos inteiros ou não castrados, desenvolvem evidências histológicas de hiperplasia com o avançar da idade, além do risco de desenvolverem alterações testiculares com hipersecreção hormonal.  Além disso a próstata hiperplásica fica sensível a infecções bacterianas de difícil tratamento e pelo seu posicionamento anatômico, o aumento de volume comprimem o reto causando desconforto e dor no ato de defecação, sem contar o risco de tumores prostáticos.  A prostatite aguda compreende uma inflamação focal ou difusa, supurativa, com acúmulo de exsudato no lúmen glandular, presença de infiltrado polimorfonuclear e destruição do epitélio acinar, podendo haver comprometimento do estroma.

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Processos crônicos podem se desenvolver lentamente e apresentar episódios de inflamação aguda.  Abscessos prostáticos constituem forma severa de prostatite crônica, contendo quantidades variáveis de exsudato purulento acumulado no interior do parênquima glandular, sendo este envolto por uma cápsula de tecido conjuntivo, com repercussão sistêmica e risco de sepse.  Cistos prostáticos são cavidades encapsuladas assépticas, preenchidas por fluido, comumente localizadas no parênquima prostático em decorrência do acúmulo de secreções prostáticas e resultantes da obstrução de ductos.  Podem ainda apresentar-se em localização paraprostática, neste caso, sem comunicação com a próstata.  Pode ocorrer contaminação dos cistos, resultando em formação de abscessos e disseminação de processo inflamatório e infeccioso sistêmico grave.  A metaplasia escamosa prostática ocorre devido ao hiperestrogenismo exógeno ou endógeno, principalmente relacionada as alterações testiculares, que, além da metaplasia, também provoca estase secretória e juntamente com a lesão epitelial, predispõem à formação de cistos, prostatites e abscessos.  Neoplasias prostáticas são raras, porém, com maior frequência em cães adultos e idosos.  Os tipos mais comuns são adenocarcinoma e carcinoma indiferenciado.  A fase pré-maligna do câncer prostático corresponde à displasia ductoacinar ou neoplasia intraepitelial prostática (PIN), que compreende focos únicos ou múltiplos de proliferação intra-acinar, porém sem invasão da membrana basal.

Cães adultos não castrados devem ter acompanhamento especial com relação à próstata.  O exame através do toque prostático e a ultrassonografista abdominal devem ser realizados a cada 6 meses ou quando necessário.  A orquiectomia (castração) é a melhor decisão para a prevenção, a que possui maior eficiência no controle das doenças prostáticas, mas não isenta o paciente dos exames de rotina.

Palavra chave: neoplasia, prostatite, adenocarcinoma, pielonefrite.

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Paulo Daniel Sant’Anna Leal
Coordenador Técnico do Centro de Terapia Intensiva e Emergência Veterinária
Médico-Veterinário, Mestre-MSc e Doutor-DScV, Membro da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro.  Pós Doutorando Curso de Pós-Graduação de Ciências Veterinárias.  Anexo 1, Instituto de Veterinária, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). BR 465 km 7. Campus Seropédica, 23.890-000, RJ. E-mail: ctivet@ctiveterinario.com.br


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